História e Tradição do Carnaval de Vidago

“Em Vidago a época Carnavalesca não passa propriamente despercebida, não obstante a localidade não ter grandes tradições nesse âmbito. Em qualquer terra sempre existiram algumas figuras com maior propensão para a folia. Também esta Vila não foi excepção à regra. Tempos houve em que uma simpática mulher de nome Celisa Braz – a Tia Celícia, como carinhosamente era tratada pelos seus conterrâneos – era uma mulher de transbordante alegria e muito viajada. Do Brasil, onde viveu alguns anos no primeiro quartel do século passado, trouxe o contágio efervescente do Carnaval carioca e também roupas e atavios alusivos às festividades carnavalescas. Anualmente, e sempre que a quadra se aproximava, o património carnavalesco da simpática Celícia era posto à disposição de uns quantos foliões que, com orgulho, o ostentavam para gáudio de todo o povo.”

“Há aproximadamente um quarto de século foi criada em Vidago a Casa de Cultura. A instituição vem mobilizando de forma crescente gente local – especialmente jovens - para uma cada vez maior dinamização do evento carnavalesco. Em grande espírito de cooperação, gente de todas as idades envolve-se na preparação do corso local. O grupo responsável pelo cortejo dá largas à sua imaginação e os temas surgem graciosos e oportunos. As politicas local, regional e nacional estão, inevitavelmente, presentes.” Picantes, mordazes e sempre com muita graça. Nunca é ignorado o acontecimento internacional, conjunturalmente mais em foco e a sua componente mais hilariante é hiperbolizada e devidamente explorada.”

“Deve ser evidenciada a intensidade com que algumas pessoas da terra vivem esta festa. Presentes anualmente, desempenhando quase sempre diferentes papéis, são figurantes inalienáveis do corso da terra!”

“Eis que chega o Domingo Gordo! O frio e o desconforto meteorológico, muito característicos desta quadra, não são suficientes para desmobilizar quem quer que seja. As aldeias das redondezas afluem eufóricas e ansiosas à Vila engalanada. As forças de segurança locais, de forma preventiva, interrompem o trânsito na Estrada Nacional Nº 2, que atravessa a localidade em toda a sua extensão. Em consequência, o ocasional automobilista, anui simpaticamente ao pequeno contra-tempo. Aproveita a inesperada paragem para desentorpecer as pernas. Entrega-se à circunstância, espreguiça-se e esboça um sorriso. Acaba de comungar da descontração dos foliões, vendo-se, também ele, envolvido na cumplicidade do espetáculo.”

“A marcha lenta e colorida do cortejo vai, finalmente, iniciar-se. Estão a postos travestis, matrafonas, zés pereiras, bruxas, dráculas, fadas e outras figuras do imaginário. Aqui e ali, de forma menos organizada, surge alguma espontaneidade. Pomposamente, todos vão percorrer as principais ruas e avenidas de Vidago. Crianças encavalitadas nos pais deixam transparecer felicidade e a sua inocência perante o pitoresco espetáculo. De um e outro lado dos passeios, gente apinhada goza com os sorrisos os fugazes momentos que o cortejo de carros alegóricos e muitos figurantes lhe proporciona. É gente simples e feliz de todas as classes etárias. Gente que bem entende que aquelas escassas horas de fantasia carnavalesca sintetizam muita realidade sobre a qual bem se pode fazer alguma reflexão.”

“Excertos, do texto Carnaval”, retirados do livro “Memórias de Vidago” de Floripo Salvador

Apoios

Casa de Cultura de Vidago
Município de Chaves
Junta de Freguesia de Vidago
Bombeiros Voluntários de Vidago
GNR
Unicer
Casa do Povo de Vidago
Escola EB 2,3 de Vidago
Duarte Chaves - Serviços em Informática